Friday, 23 December 2016

Retrospectiva literária 2016

Segundo o Goodreads, esse ano li 152 livros. Desses, 53 foram livros infantis, que não levam mais do que alguns minutos, então meio que não contam pra mim. Meu saldo oficial então é de 99 livros, e vou terminar pelo menos mais um antes do fim do mês, então vou arredondar pra 100 livros.

Cem livros! Acho que bati todos os meus recordes esse ano e ainda não sei bem como, porque o que mais me lembro é das leituras arrastadas e dos dias de ressaca (literária) longe dos livros. Mas de algum jeito eu acumulei tudo isso. Acho que incluí na lista alguns livros infantis mais longos que achei que valia a pena avaliar, e que levam pouco tempo pra ler, mas mesmo assim fiquei impressionada.

(pra quem quer saber como consigo ler tanto, a resposta é um mix: tenho um certo vício por leitura e não assisto televisão, filmes ou séries - só esse segundo item já me deixa infinitas horas livres para ler)

Senti que esse ano li muito mais não-ficção do que geralmente leio, especialmente livros-reportagem, que passei a amar. A leitura costuma ser mais lenta, mas a sensação de aprendizado é enorme. Claro que continuo amando ficção e YA e vou intercalando pra não enjoar.

A maioria imensa das minhas leituras foi em inglês porque peguei muitos livros na biblioteca. Só leio em português no Kindle e esse ano ele ficou meio de lado e mesmo assim prefiro ler em português só se o livro foi escrito nessa língua ou traduzido de qualquer outra língua que não seja o inglês. A biblioteca também me trouxe outra tendência, que é a de ler mais autores britânicos do que americanos, e isso é ótimo pra aperfeiçoar meu inglês. Acho divertido pegar um livro que eu não sei de onde veio e conseguir definir a origem só pelos termos usados no texto ;-)

Outra coisa que notei também é que como mudei meu foco dos blogs de literatura para a biblioteca, li muito menos lançamentos, best-sellers e livros badalados e mais autores que eu nunca tinha ouvido falar. Pra ser sincera, prefiro assim. Quanto mais propaganda em cima de um livro, mais chance de eu não gostar dele porque a expectativa fica alta demais. É muito mais gostoso pegar um livro do qual nunca ouvi falar e acabar tendo uma boa surpresa :-)

Listas não são meu forte, mas vamos tentar fazer um ranking de 2016? Se o livro tiver versão em português, vou colocar o link também. Eles não estão em ordem de preferência.

Os 5 melhores livros de ficção

Miniaturista - Jessie Burton (li em português)
As relações familiares desse livro me interessaram muito - Nella não é bem vinda na família do novo marido e aos poucos vai descobrindo os segredos da família, que parecem abrir um buraco debaixo dela que só aumenta. A casa de bonecas que dá nome ao livro foi o que menos me interessou e acho que nem faria falta na história, e o final foi um dos mais tristes que já li.

O Vilarejo - Raphael Montes
O primeiro livro do Raphael Montes, pra mim, foi uma cópia de O Colecionador, mas uma cópia boa que eu gostei de ler, gostei do estilo horror/suspense dele. O Vilarejo é uma história curta, formada por mini-contos que arrepiam pela frieza dos personagens e pelo tom de horror que está sempre ali, mesmo quando a história ainda parece inocente.

The Marvels - Brian Selznick (Os Marvels, em português)
Li três livros do Brian Selznick esse ano e todos são simplesmente in-crí-veis, com a combinação de texto e ilustrações maravilhosas, mas esse foi meu favorito. As histórias de Brian são carregadas de sensibilidade e esta em especial me tocou muito com a sequência de fatos da família Marvel durante várias gerações.

The Nest - Kenneth Oppel
Um livro curtinho e muito tenso que me lembrou demais Coraline, do Neil Gaiman, envolvendo um garoto, um bebê e abelhas - um suspense gótico que mistura sonho e realidade e dá uma vontadinha de se esconder embaixo da coberta só por garantia.

When I Was Joe - Keren David (Quando Eu Era Joe, em português)
Não sei o que esperava desse livro, mas ele foi muito melhor! Um YA-policial bem amarrado e muito gostoso de ler, com um personagem legal, plot twists que me faziam pensar "chega, deixa ele em paz!". Torcendo pras sequências serem tão boas quanto esse primeiro.

Os 5 melhores livros de não-ficção

Forensics: The Anatomy of Crime - Val McDermid
O livro explica como funciona uma investigação policial desde a coleta de evidências, análise e solução do crime (ou não, em alguns casos). Manchas de sangue, autópsias, testes de DNA, impressões digitais, análise de esqueletos e insetos que infestam um corpo em decomposição, enfim, super detalhado e completo e cheio de exemplos reais e eu AMEI.

Necropolis: London and Its Dead - Catharine Arnold
Quem me conhece sabe que eu gosto de cemitérios, muito mesmo, e Londres é um oásis pra mim nesse ponto. Esse livro fala sobre como a sociedade londrina lida com os mortos desde suas origens romanas até a atualidade (o último caso citado foi a morte da Princesa Diana, que é atual se considerarmos mais de mil anos de historia).

The Last Act of Love - Cathy Rentzenbrink
Que história, gente. A autora tinha um irmão um ano mais velho que era unha e carne com ela, e um dia ele é atropelado e não se recupera mais. Não consigo nem imaginar como deve ser ter alguém do seu lado e no dia seguinte a pessoa virar um vegetal. A família teve esperanças - ou, mais propriamente, não teve coragem de admitir a derrota - e cuidou dele por oito anos, período no qual foram amadurecendo a ideia de deixá-lo morrer, e esse amadurecimento com certeza foi MUITO difícil e cheio de culpa.

Big Necessity - Rose George
Esse é um livro sobre redes sanitárias. Banheiro, esgoto, cocô. A autora viajou o mundo inteiro para ver como os diferentes países lidam com os dejetos humanos e, gente, é muito interessante! Faz a gente agradecer pela privada que tem em casa e ao mesmo tempo perceber como nosso sistema ainda é primário e cheio de falhas.

The Great Fire of London - Stephen Porter
Adoro esse assunto e esse foi o livro mais completo que já li (e que foi muito bem complementado pela exposição Fire! Fire!). Ele é detalhadíssimo ao ponto de dar sono com os vários parágrafos relacionando valores e questões jurídidas causadas pelo incêndio e isso me ajudou a ter uma base melhor para entender outros assuntos históricos também.

Os 3 piores livros

Dork Diaries - Rachel Renée Russell (Diário de uma Garota Nada Popular, em português)
Desde a primeira página fiquei indignada com esse livro - a personagem é totalmente consumista, preocupada em ter as coisas das marcas certas pra ser aceita pelo grupinho popular da escola, e SÓ. O livro é tão patético que eu me arrependi de ter dado pra minha filha ler (ainda bem que ela não gostou e parou, o público-alvo é de meninas um pouco mais velhas que ela). Essa série parece ser bem famosinha e tenho pena, de verdade, de saber que tem meninas lendo, gostando e se identificando com ele. Foi uma das maiores PORCARIAS que já li na vida.

Hollow City - Ransom Riggs (Cidade dos Etéreos, em português)
Eu adorei o primeiro livro da série Miss Peregrine's Peculiar Children, e fiquei surpresa por achar o segundo livro TÃO RUIM. A história que era tão legal simplesmente se apaga nesse livro, vira um nada. Pra ajudar, o livro é enorme. Nem o final cheio de suspense me animou a começar o terceiro livro, não me deu curiosidade nenhuma, só vontade de acabar logo a leitura. Foi uma decepção, igualzinho aconteceu com Cidade dos Ossos, que foi tão legal e a partir do segundo livro ficou uma droga.

One Stop Short of Barking - Mecca Ibrahim
Esse livro prometia ser uma compilação de curiosidades sobre o metrô de Londres, mas foi uma decepcionante coletânea de resmungos e reclamações bem clichês de alguém não gosta de andar de metrô e achou que seria uma boa ideia fazer piada a respeito (falhou miseravelmente).

* * *

Tiveram mais livros que não gostei, mas nenhum deles foi necessariamente ruim, então não incluí na lista. Ao mesmo tempo, com exceção de Brian Selznick, não teve nenhum livro arrebatador. Muitos foram medianos, mas o saldo geral ainda foi positivo. Pra finalizar, livros que merecem menção honrosa:

Ketchup Clouds - Annabel Pitcher (em português)
Not if I See You First - Eric Lindstrom
Poirot Investigates - Agatha Christie (em português)
Tampa - Alissa Nutting (em português)
Bone Remains - Mary H. Marhein
Miss Peregrine's Home for Peculiar Children - Ransom Riggs (em português)
Diário de Classe - Isadora Faber
Harry Potter and the Cursed Child - John Tiffany (em português)
A Life Discarded - Alexander Masters
Moth Girls - Anne Cassidy
At the Edge of the Orchard - Tracy Chevalier (em português)
The Boy in The Tower - Polly Ho-Yen
The Obituary Writer - Lauren St. John
Perdido em Marte - Andy Weir
Encruzilhada - Kasie West

Saturday, 17 December 2016

Fog @ Richmond Park

O dia amanheceu escondido atrás de um pacote de neblina hoje, bem do jeito que eu adoro. Da última vez que isso aconteceu eu tinha que trabalhar e só consegui passar pela praça por um minuto pra tirar uma foto, então hoje aproveitei pra ir pro Richmond Park, que já faz tempo que eu queria ver cheio de névoa.

Aviso: muitas fotos!



Às vezes batia uma garoinha bem fina e estava bem úmido, mas não estava frio,  clima perfeito pra uma caminhada mesmo no mato (que geralmente é mais gelado). Tentei levar as crianças comigo mas o iPad estava mais atraente hoje, então saí só com o cachorro. E ela se comportou tão direitinho, andando sempre perto de mim e me obedecendo quando eu chamava (exceto quando passaram dois cavalos, aí ela saiu feito louca com medo e eu tive que correr atrás).


O parque fica numa parte mais alta do bairro então a neblina estava mais carregada ainda. Tinha muita gente andando com criança, com cachorro, com bicicleta, e sei lá como explicar a sensação de andar no meio dessa brancura toda, só sei que é meio mágico, muito tranquilo, uma delícia.



A paisagem normalmente é de um campo a perder de vista, árvores, e hoje estava tudo assim:



Scarlet curtiu muito o passeio, não parou um minuto, explorou tudo. No fim ela estava claramente exausta (o que era a intenção, hehe).







Andei tanto, TANTO, porque peguei umas trilhas alternativas e no meio desse contrário de breu eu logo já não sabia mais pra que lado estava indo. Sabia pra onde queria ir - a Pen Pond no meio do parque - e do jeito que andei achei que já tinha até passado, mas quando olhei no mapa ainda estava super perto do portão e longe do lago. Devo ter andado meio em círculos, rs, e deu preguiça de continuar quando achei que já estaria pertinho, mas fui assim mesmo. Sei lá quando eu ia pra lá de novo na neblina, né?


Árvores enormes e ocas, muito filme de terror isso


Tem alguma coisa de muito incrível em árvores desfolhadas no inverno, não tem?






Scarlet curtindo a vida adoidado





Depois de olhar o mapa e andar mais um bocado, descobri que eu AINDA estava longe de onde eu queria ir. Tinha algum feitiço nessa neblina e ele estava esticando meu caminho, só pode.





Eu estava procurando renas, é lógico. Esse é meu objetivo principal toda vez que vou ao Richmond Park, não importa o que eu realmente tenha ido fazer lá. Passei por todos os pontos onde elas costumam estar, e só encontrei rastros. Fresquinhos e em abundância. Se forem sair na rua na noite de Natal, cuidado com as cabeças.

Cocô de rena



Aqui eu já me encontrei. Esse trecho da rua leva ao White Lodge, que é a mansão onde funciona o Royal Ballet School, a escola de balé bam bam bam daqui. Então quase nunca passa carro e depois de um trecho só pode andar a pé ou de bicicleta. Tem um monte de árvores e é uma parte muito tranquila, uma das minhas favoritas.




Gostei de ver o chão forrado de folhas secas, parecia que eu tinha voltado algumas semanas no tempo Nas ruas já não tem mais nada, as árvores já estão peladas e o chão já foi limpo e o que sobrou está úmido e feio. Mas aqui não, mesmo molhadas as folhas ainda estavam crocantes. E essa cara de que lá na frente vai aparecer a casa da bruxa má? <3




White Lodge, The Royal Ballet School (é cercado, não dá pra entrar)



Nesse ponto tivemos um pequeno atraso devido ao incidente já citado com os cavalos, mas logo retomamos o percurso e finalmente chegamos no Pen Pond. Como eu imaginava, o lago estava escondido na névoa, mais ainda do que eu pensei, mal dava pra ver o outro lado.






Aqui o chão estava bem fofo com folhas e tudo muito molhado, minhas meias já estavam encharcadas a essa altura (mas não estava frio, então não incomodou).



Abaixo dá pra [não] ver o White Lodge de novo. Eu já estava voltando, mas passei mais longe pra poder andar pelo meio das árvores.




E aí chegamos no campo aberto de novo e rapidinho as árvores sumiram na neblina. Tinha MUITO passarinho fazendo um barulho tão alto que eu achei até que fosse eco, mas eram eles mesmo.



O parque é cortado por um reguinho d'água que eu acho que nunca vi com água, está sempre seco. Hoje estava cheio! Tive que dar uma baita volta pra atravessar (quando está seco é só passar pelo buraco) mas valeu a pena, que bonitinho esse laguinho :-)


A essa altura eu já tinha praticamente desistido de procurar renas, estava cansada, Scarlet também. Só que eu estava perto de um dos pontos onde elas costumam ficar e apertando os olhos deu pra ver umas formas lá longe que podiam ser elas - e eram! Não pude chegar muito perto por causa do cachorro, mas faz parte. Completou meu dia.


O macho dando um pinote atrás da fêmea (ainda bem que não vieram pra cima da gente!)



E aí foi só voltar pra casa, depois de umas duas horas andando. Scarlet ainda encontrou outro cachorro e brincou um bocado com ele (não sabia que ela ainda tinha energia pra correr, gente! Eu já estava exausta e com fome). Valeu a pena, MUITO, vencer a preguiça hoje :-)